sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Seminário Schumpeter - reunião NEM 26/09 e reunião NEPHE 27/09

Nesta semana última de setembro, as discussões do primeiro capítulo de
"A Teoria do Desenvolvimento Econômico" do Grupo do NEM na UFAL terminaram.
Salta à vista o nível de detalhamento de Schumpeter ao pensar todas as particularidades essenciais de um sistema econômico - no caso, da teorização dum sistema econômico cujo "fluxo circular" é sempre o mesmo.
Um aspecto interessante do "modelo" é o modo pelo qual Schumpeter indica que todas as empresas produzem os seus próprios meios de produção: "os bens de produção são itens transitórios e não envolvem nenhuma formação de valor independente numa economia de troca; não há nenhum fluxo de renda para aqueles que os possuem em um certo momento" (p.61). Isto se explica pelo fato de que aqui não há acumulação; o setor de bens de produção não tem centralidade nesta economia teórica.
Há um único momento decepcionante, que está no final do capítulo. Ali Schumpeter envereda por obviedades e tautologias ao falar da relação entre indivíduo e sociedade ("A totalidade das relações econômicas constitui o sistema econômico, justamente como a totalidade das relações sociais constitui a sociedade")(p.66).

De qualquer modo, rumo ao segundo capítulo...
(V.E.S)

PS - Conforme reunião realizada na última quinta-feira (25/9), o pessoal da parte virtual do NEPHE iniciará neste sábado (27/9), às 16:30, em reposição à falta de quinta-feira, o estudo do primeiro capítulo. O material, de toda forma, já está postado.
Um ponto importante que aparece na "apresentação" da edição de 1982 é a caracterização deste modelo do capítulo 1 como o de uma economia "estacionária", ou seja, per definitio não produtora de excedente. Outro ponto que é inteligentemente apontado pela apresentação de 1982 é a chamada de atenção para o fato de que a estacionariedade da economia não impede que seu produto seja, ainda assim, objeto de distribuição desigual. Schumpeter atribui isso à "natureza dos bens", num primeiro momento, integrando essa condição à própria natureza do fluxo circular da vida econômica, mais para o final do capítulo. Infelizmente, a interessante apresentação da edição de 1982 foi subtraída das edições de 1983 e 1987.
Na próxima quinta (09/10), serão discutidos os aspectos referentes a este capítulo dentro do desenvolvimento da obra do próprio Schumpeter e a importância e influência diretas que "O Fluxo Circular da Vida Econômica" exerceu sobre o pensamento econômico do século XX, nos campos da teoria e da metodologia econômicas. Mas podemos adiantar uma coisa, como aperitivo: ainda que consistam hoje "tautologias", as concepções de "economia" e "sociedade" ali presentes têm a virtude da clareza e concisão, sintetizando, em sua aparente simplicidade, conceitos das escolas histórica alemã (T. Mommsen, por exemplo) e econômica austríaca (Böhm-Bawerk e Carl Menger, por exemplo). Ademais, as obras posteriores de Schumpeter mostrariam um amadurecimento em vários aspectos (há uma tomada de posição sobre a teoria do valor que fica clara em "Business Cycles", de 1933, por exemplo), dentre os quais um maior detalhamento e rigor de método são manifestos (a parte I da História da Análise Econômica, de 1951, é a zênite desse movimento). Na maturidade, Schumpeter pagaria - com sobra - o tributo de uns poucos movimentos bruscos da juventude. É por isso que vale a pena lê-lo e relê-lo, em qualquer idade.

Até sábado!

(LvÜuÜ)

2 comentários:

Spinelli disse...

Schumpeter era um louco!
Enfim, avante ao segundo capítulo!

MAINGLES disse...

Essa eu perdi...